O poder da crítica, não raro, é relativizado pelos artístas e a indústria do entretenimento. Alguns a tratam com desdém, outros oferecem argumentos mais elaborados. Como o cineasta Fernando Meirelles, diretor de “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”, que certa vez comentou que o crítico analisa a obra que ele gostaria de ver, e não a criação em si.
Mesmo questionável, essa relação de amor e ódio ganhou uma escala diferente nos tempos atuais. Graças à internet, essa atividade que um pensador francês definiu como a arte de amar ganhou maior ressonância. Se antes uma avaliação ruim poderia ser suplantada por citações de trechos positivos de outras análises (o que pode ser visto nos cartazes dos filmes), agora uma obra pode ser vista como está sendo analisada como um todo.
Há sites que catalogam as resenhas mais relevantes e fazem uma média geral de como a crítica o avaliou. O site Metacritic é o maior deles. Traz dados sobre filmes, programas de tv, jogos eletrônicos, música e livros. Basta digitar o nome da obra que ele fornece a nota média obtida. Em inglês.
Há também os que atuam em nichos. Como Critical Metrics, especializado em música. Tem o diferencial de você ter acesso ao material analisado, pois o serviço traz dados do YouTube, do Yahoo!Music e do Rhapsody.
A foto é do Flickr de Jon Jordan.
Março 15, 2008
Em setembro, o Metallica planeja lançar seu novo disco. Chris Anderson (autor do clássico “A Cauda Longa”), lançará em breve seu mais novo livro, Free!. Nele, versa sobre o quanto a internet e a digitalização dos conteúdos disseminou a tendência de se oferecer serviços de graça.
Esses dois pontos se chocam. Logo no início da febre do download gratuito de mp3, o Metallica processou o Napster - programa que facilitava a busca por músicas on-line - por considerar que estava sendo “roubado”. Até hoje a banda não fez nenhuma mea culpa sobre o”delito” cometido por quem admirava o trabalho da banda.
Por outro lado… No ano passado, o Radiohead lançou um disco (”In Rainbows”) primeiro na internet. Você pagava o quanto queria. Recentemente, a banda Nine Inch Nails fez o mesmo com “Ghosts I-IV”.
A tendência aponta para isso. Nos EUA, 48% dos adolescentes deixaram de comprar CDs no ano passado. A iTunes, site de mídia digital da Apple, passou a ser segunda “loja” de música nos EUA. Superou as redes norte-americanas Best Buy e Target, ficando atrás apenas do Wal-Mart.
Todavia, apesar do download legal ter aumentado 21% no ano passado, o ilegal ainda prolifera. Em 2007, os downloads legais de música representam 10% das canções compradas nos EUA.
De toda forma, uma coisa parece ser certa: o destino da música será múltiplo, não avendo um único modo de consumi-la. Pagando por ela ou não.
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Março 10, 2008