As novas conexões das LAN Houses

“O serviço tinha demanda pela falta de acesso. Já ocorreu em outros países: à medida que aumenta o número de computadores nos lares e o acesso, o serviço deixa de ter importância.”

Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae, fala sobre a necessidade de repensar o modelo das LAN Houses. Em muitos locais, metade do faturamento já vem de novos serviços ou de desdobramentos dos já existentes, como cadastro de currículos e pagamento de contas. São formas de manter viva uma estrutura já montada que prestou importante papel na inclusão digital no país.

Há desafios, como a informalidade do setor. Ademais, transformar uma LAN House em correspondente bancário, uma saída possível, é uma opção difícil em regiões violentas.

My So-Called Life

Claire Danes parece ter encontrando novo fôlego para sua carreira na TV. Em 2010, fez sucesso em Temple Grandin, cinebiografia da autista reconhecida por seu trabalho como especialista em comportamento animal. Um ano depois, estreava Homeland.

Não são as primeiras experiências de Claire na tela pequena. Na verdade, ela começou ali. My So-Called Life poderia ser mais um drama juvenil de tantos lançados nos anos 1990. Mas o programa se diferenciava dos demais por abordar temas polêmicos, como abuso infantil e homofobia.

Outros seriados até tateavam assuntos espinhosos, mas o faziam de forma didática. Soavam como conselhos de adultos que julgam a consequência, não buscam entender o caminho. Disciplinam, não educam. No final, pareciam campanhas de conscientização dramatizadas. Dificilmente o problema debatido ia além de um único episódio. No mundo da ficção, muitas vezes basta uma lição de moral para que o destino de alguém seja alterado.

Em My So-Called Life, a abordagem era distinta. Não era um programa adolescente, mas sobre a adolescência. As angústias dessa fase da vida não surgem como deficiência, o que muitas vezes ocorre em outros enredos, mas sim aprendizado. No seriado, prevalece o olhar de alguém que lida com o desconhecido. O primeiro contato por vezes surge sedutor, provoca deslumbramento. Noutras ocasiões, causa medo, apreensão. Não era uma característica apenas dos personagens jovens; os adultos também se mostravam inseguros ao lidar com o novo. Ademais, questões diversas eram desenvolvidas ao longo da temporada. Você vivia os dilemas dos personagens. Lutas pessoais e conquistas da tela se aproximavam das nossas escolhas no mundo real.

Deu resultado. O show foi listado pela revista Entertainment Weekly com um novo clássico da TV. Já a Time o citou como um dos 100 melhores programas de TV de todos os tempos. O tocante episódio Life of Brian (é possível assistir no YouTube; primeira parte acima), sobre a dificuldade de um dos personagens em interagir com os demais, é apontado como uma das melhores realizações da tv norte-americana. O roteiro desse episódio coube a Jason Katims, que viria a ser o produtor executivo da também elogiada Friday Night Lights.

Claro, o programa também cometia deslizes. Há certos chavões dos dramas focados em escolas norte-americanas. Personagens que tropeçam por questões menores por vezes soltam pensamentos demasiadamente maduros em grandes acontecimentos. Mas, no plano geral, o resultado era amplamente favorável.

Além do belo texto, a trilha era ótima. Hoje é comum programas adolescentes, como o britânico Skins, tocarem ótimas faixas. A MTV, por exemplo, alimenta um site (soundtrack.mtv.com) apenas para entregar o que rola nas trilhas dos programas que produz. Mas não me recordo de outra produção da tv aberta dos anos 1990 começar com algo alternativo como Blister in the sun, do Violent Femmes. Noutra ocasião, a ida a um show da ótima banda Buffalo Tom foi o centro das atenções. Já o episódio natalino recebeu a cantora Juliana Hatfield, que interpretou um anjo.

Infelizmente, My So-Called Life não foi além da primeira temporada. Fãs, novos e antigos, usam a internet para lembrar o programa. E dar continuidade à trama. Essa interação vem de antes: My So-Called Life foi um dos primeiros seriados em que os fãs usaram a grande rede para manifestar contra seu cancelamento.

Abaixo, o reencontro dos protagonistas do programa.

Texto atualizado em 05/03/2012

Ajuda humanitária para #BabaAmr

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha está tentanto entrar em Baba Amr, bairro rebelde do distrito de Homs, na Síria.

O exército do país é acusado de cometer atrocidades no local. Segundo o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, ocorrem em Baba Amr “execuções sumárias, detenções arbitrárias e tortura” (vídeo abaixo). O Storyful acompanha o desenrolar dos acontecimentos.

As fontes de notícias mais compartilhadas no Twitter e no Facebook

Os perfis da BBC, The Huffington Post e The Guardian lideram no plano geral. Quando se divide a atuação por rede social, surgem novidades.

No Facebook, por exemplo, os populares perfis de grupos baseados no Reino Unido são acompanhados, no top 25, por sites de fofocas e celebridades: Daily Mail, Jezebel, Perez Hilton e People. Mais informações no infográfico a seguir.

Falando nisso. Quando os jornalistas devem usar contas pessoais e em que ocasiões devem optar pelos canais corporativos? Steve Buttry, consultor de mídias digitais, explica.

Futuro em jogo

Os game designers Ron Gilbert e Tim Schafer debatem os rumos dos jogos de aventura. A conversa aconteceu um pouco antes de Schafer arrecadar a verba, via Kickstarter, para seu novo jogo eletrônico.

É o financiamento coletivo (crowd funding) alcançando o desenvolvimento de games. Há, inclusive, um serviço de mecenato social específico para o setor: 8-bit Funding.

Um ano de links

 

O game designer Tom Armitage reuniu num livro físico seus sites favoritos. Ele vem montando essas “enciclopédias pessoais” desde 2004. Cada link é representado com o título, URL, descrição e tags. Também há código QR. É só apontar seu celular que será encaminhado para o site.

Interessado? Armitage entrega o código que usou no projeto.

Oscar 2012: seleções indecentes

Acima, edição com os palavrões dos concorrentes ao Oscar de melhor filme de 2012. Em seguida, você confere vídeo que reúne alguns dos títulos esnobados na premiação norte-americana desse ano.

Entre as omissões, há ótimos lançamentos do ano passado. Muitos estão entre os meus favoritos no período. Não que esteja reclamando das escolhas oficiais. Sempre haverá mais filmes não lembrados do que indicados. Aliás, no próprio vídeo dos esquecidos, há lacunas.

Para além da subjetividade envolvida, olhar com ressalva para esse tipo de escolha seria adotar uma crítica pontual (a ser repetida anualmente). Meu problema é com o processo todo: não curto transformar arte em competição. Não me interessa a figura do vencedor, que conquista toda a atenção em detrimento dos demais. Para o torneio ficar completo, é necessário o clima de torcida que esquece o mérito artístico. Misturada com ufanismo, a questão fica mais tola ainda. O meu pódio é diferente: quanto mais títulos para apreciar, melhor.

De toda forma, há quem descubra obras novas via seleções. Como as que tentam eleger os melhores do ano. Sou mais simpático a isso. Podem ser particularmente úteis para o público geral por tentar resgatar as melhores produções de determinado momento (é uma última chamada para o que se destacou) ou quando lançam luz sobre o trabalho de iniciantes, alternativos ou de países menos visados.

Não deixam de ser filtros questionáveis. Como reduções, sempre vai escapar algo: suas escolhas pessoais podem não ser atendidas por sínteses alheias. Listas gerais não vão atender predileções por determinada sensibilidade cinematrográfica (você adora aquele tipo de filme que seu amigo acha que “não acontece nada”), preferência por gênero musical obscuro ou de nicho (muitas vezes não apreciadas por críticos), tipo específico de gênero literário (“só gosto de literatura policial”)… O problema é mais presente nas listas muito curtas, que trazem itens hierarquizados no formato ranking ou que não explicitam o critério de escolha.

Aliás, melhor em que sentido? é uma obra que traz técnica inovadora ou executa com maestria o que já está posto? Possui um aspecto específico de destaque, como ótimo elenco, texto primoroso? Quem escolheu? O que credencia esse corpo de jurados? Poucos olham para isso. O que importa é o resultado final da partida, não necessariamente a qualidade do jogo.

Melhor seria dedicar atenção contínua. Afinal, se determinado tema lhe atrai, nada melhor do que acompanhar e debater o que lhe interessa com outros entusiastas.

Mas se você não vive sem seleções para despertar seu olhar, não esqueça de conferir muitos dos títulos mencionados no segundo vídeo. Encontrará muita coisa boa. E olha que estamos falando, em grande parte, de filmes de língua inglesa. Há muito mais a conferir aí fora.