Blue Like Jazz

Na comédia dramática Blue Like Jazz, um jovem de 19 anos abandona os preceitos de uma educação religiosa rigorosa para buscar uma nova abordagem para sua espiritualidade. O filme, que estreia em abril nos EUA, é baseado no best-seller (com toques biográficos) do ótimo frasista Donald Miller.

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“Eu quero que minha espiritualidade livre-me do ódio, não que me dê motivo para isso.”

“Se amar as pessoas é um pedacinho do céu, então certamente o isolamento é um pouco do inferno.”

– Don Miller

Zumbis também amam e curtem poesia

Hoje o seriado The Walking Dead volta nos EUA para os seis derradeiros episódios da segunda temporada. No Brasil, chega na próxima terça (canal Fox, 22h). Não precisa chiar. Para quem gosta do tema, opções não faltam.

Na tela grande, os zumbis também batem ponto. No final do ano estreia World War Z, filme no qual Brad Pitt combate os mortos-vivos.

Um dos projetos mais curiosos, porém, mostra que os zumbis também amam. Warm Bodies (Corpos quentes) conta a história de um morto-vivo (Nicholas Hoult, de Skins e X-Men: Primeira Classe) que se apaixona por uma garota após comer o cérebro do namorado dela, o que resultou na absorção das memórias da vítima. Trata-se de uma adaptação do romance de Isaac Marion. Direção de Jonathan Levine (do badalado 50%). Ia chegar aos cinemas norte-americanos em agosto desse ano, mas a estreia foi adiada para fevereiro do ano que vem.

É curioso. Obras sobre zumbis geralmente servem para lançar luz sobre outros personagens, ao mostrar como os que ainda permanecem humanos lidam com essa situação de excessão. Já em Warm Bodies, os zumbis não são escada para os demais.

Focar o lado “sensível” é a nova vertente do gênero? Primeiro surgiram as obras de suspense e terror. Depois, veio a onda de satirizar os zumbis (vide Fido – O MascoteTodo Mundo Quase Morto).

E agora… Há quem dedique poemas aos mortos-vivos.

Charles Dickens, 200

Acima, Gillian Anderson no trailer de Grandes Esperanças, a mais recente adaptação para a tv do clássico de Charles Dickens.

A minissérie, exibida no final do ano passado pela BBC, é apenas um dos eventos que celebram o bicentenário (1812-1870) do autor, ocorrido no última terça. No dia, foi um dos assuntos mais comentados no Twitter.

O site www.dickens2012.org faz um bom trabalho de divulgação do legado de Dickens. Lista o que está sendo realizado, faz uma retrospectiva com adaptações já feitas para a tv e cinema

Na internet, é possível encontrar outras boas homenagens. O Huffington Post britânico trouxe um belo ensaio fotográfico comparando a Inglattera de Dickens com a da atualidade. Aliás, como Dickens reagiria às mudanças tecnológicas do século 21?

Uma das casas em que o escritor viveu, hoje abriga o Museu Charles Dickens. É a única residência de Dickens na região central de Londres que permanece de pé. No último dia sete, Gillian passou por lá.

Darkness: quadrinhos em “24” horas

Início de Darkness, hq criada pelo cartunista francês Boulet (Gilles Roussel) entre 24 e 25 de janeiro desse ano. O desafio (24 hour comics) foi lançado durante o prestigiado Festival International de histórias em quadrinhos de Angoulême (França). Boulet foi um pouco além, tendo dedicado 26 horas ao projeto. Como o resultado ficou ótimo, ninguém reclamou. A história completa você confere aqui.

Uma crítica, dois filmes: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

versão norte-americana da trilogia trilogia Millennium estreou recentemente no Brasil. Não é a primeira vez que a obra de Stieg Larsson foi adaptada para o cinema. Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (trailer abaixo), A Menina Que Brincava Com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar foram lançados em 2009, pelas mãos de uma equipe europeia. O resultado foi bem-sucedido.

Se não conhece a obra sobre a parceria de um jornalista e uma hacker para investigar o sumiço de uma garota rica, chegou o momento de abandonar esse texto. Daqui para a frente, spoilers serão presentes.

Por saber os destinos da trama (já havia visto os filmes anteriores), minha mente prestava menos atenção no enredo em si e se divertia associando o que era mostrado com a adaptação anterior. Surge, então, a pergunta: Quem é a melhor Lisbeth Salander? Chegaremos a esse ponto. Não agora.

David Fincher é um dos meus cineastas preferidos. O diretor de filmes como Seven – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco (o melhor do seu currículo) começa muito bem sua releitura do texto de Larsson. Os créditos iniciais são geniais.

Claro, há mais dinheiro envolvido. O que reflete em melhor apuro técnico. Mas, ao utilizar máquina de Hollywood, há igualmente consequências negativas. As escolhas do elenco denotam outra abordagem. O Mikael Blomkvist “alternativo”, com seu físico “diferenciado”, representa melhor a derrocada do personagem. Ora, Mikael está na pior. Sem dinheiro. Sem companheira. Sua carreira está ameaçada. Seu tropeço profissional espantou antigos colegas. O passo seguinte soa natural. Ele pode até não achar interessante a proposta de trabalho, mas ele PRECISA dela, já que não tem escolha. Pode representar sua redenção financeira e lançar um desafio para uma pessoa que encontra-se no ostracismo.

Na versão USA surge um galã. Não que Daniel Craig seja mal ator. Do contrário. Apenas está no lugar errado. Tipo Russell Crowe e seu marombado matemático de Uma Mente Brilhante. Craig não representa bem a sensação de desesperado e urgência que o personagem pede. A culpa não é dele. O contexto é outro. Seu Mikael é mais confiante. É cercado de pessoas queridas, como sua filha (inexistente na obra anterior) e sua amante-editora compreensiva. Ele não parece alguém desamparado, que sofreu grande baque. Por isso, pensa em rejeitar o trabalho proposto. Para ele, é uma opção. Para o outro Mikael, não.

Embora seja mais nítida na parte final, as mudanças narrativas podem ser percebidas em todo o filme. O tom é outro: tudo é mais explicado. Em alguns momentos, isso se mostra relevante; tramas são melhor desenvolvidas. Entretanto, o filme perde sutilezas, vira um trabalho didático. A filha de Mikael só existe para revelar uma informação. Depois de dar seu recado, some. Mostrar todos os passos do golpe feito por Lisbeth no final do filme é outro exemplo.

Não é apenas no texto que o filme tenta orientar o telespectador. Visualmente, tudo que é importante para a trama é sublinhado. Lisbeth pode ter escondido uma câmera na sua bolsa, mas Fincher mostra logo que há algo ali ao enquadrá-la num close nada sutil. Noutro momento, quando Mikael se instala no chalé, ele tenta usar seu celular. Mas o sinal é fraco, a ligação não completa. O personagem pragueja. Você já fica avisado: lá para a frente, haverá problemas de comunicação.

Por outro lado… No filme anterior, Mikael e Lisbeth, depois de se conhecerem, passam a maior parte do tempo juntos. Daí surge a empatia, cumplicidade entre eles. É através do convívio que Lisbeth, cheia de traumas em sua vida e recém-estuprada, começa a baixar (minimamente) sua guarda para outra pessoa.

Na versão USA, eles passam a maior parte do tempo pesquisando em lugares distintos. Com isso, a investigação fica mais crível. Entretanto, mesmo a interação sendo mínima, a relação se desenvolve, a intimidade é criada. A cumplicidade, tão presente na outra versão, soa forçada aqui. O novo filme perde muito com isso.

E a melhor Lisbeth? A pergunta não faz sentido. Noomi Rapace e Rooney Mara apresentam atuações maravilhosas. Mas interpretam personagens distintos. A Lisbeth de Noomi soa como um animal acuado, mas poderoso, que responde quando é necessário. Seria a personificação da máxima “o que não nos destrói, torna-nos mais fortes”.

Já Rooney vai por outro caminho. Sua Lisbeth é contida. Seu olhar é amedrontado, vacilante. Sai de cena a pessoa que domina a situação, mesmo quando o que surge é adverso. Mara, em situações extremas, reage. Mas soa menos destemida que outrora. No outro filme, ela aparece desafiadora ao lidar com um assalto. Agora, sua conquista parece menor. Mesmo no cotidiano ela ocupa papel secundário. Como ocorre na discoteca. O início do flerte não cabe a ela.

No final, apesar de Noomi ter se aproximado de Mikael, ela opta por recuar. A paixão deixou que ele chegasse muito perto. E ela não está pronta a mostrar o que sempre ocultou. Já Mara revela-se. Conta seu histórico problemático de pronto. Mikael não precisa insistir, basta perguntar uma única vez.

A personagem é a mesma, mas a forma como lidam com seus traumas são distintos. Para Noomi, o mais importante é se proteger. Ela teme o que não lhe é familiar, posto que sofreu. Rooney, por outro lado, quer preencher um vazio. Carece disso.

Rooney chega ao ponto de revelar que gosta de trabalhar com Mikael. Noomi não revela com palavras o que sente, mas sim com ações, algo que foi sonegado à nova Lisbeth. Para agir, ela precisa do consentimento de Mikael. Em determinado momento, ela pergunta: posso matar quem lhe machucou?

No geral, o filme busca justificar as escolhas de Rooney. “Goste dessa garota, ela é excêntrica mas tem bom coração”. Ora, o outro filme conseguia isso de forma natural. Tudo era mais urgente e empolgante. Lisbeth é única. Ponto. Mesmo quando parece que os instintos da nova Lisbeth vão dominar, a mão do destino vem para domá-la. Na cena da morte de um dos personagens principais, Rooney foi transformada em mera espectadora. Mais diferente, impossível.

David Fincher fez uma versão “suecada”? Longe disso. Gostei do filme. Ele perde, e muito, por ter uma base de comparação. Há muita sombra: o filme anterior, a obra literária… Algumas de suas mudanças mostraram-se mais interessantes. O real propósito da estadia de Mikael é escondido. Ele não está investigando o sumiço de uma garota, mas sim escrevendo a biografia de um empresário. Na versão anterior, soa estranho uma família tão desunida cooperar, mesmo que de forma relutante.

O problema maior não são escolhas pontuais do roteiro, mas abdicar da força dos personagens, que surgem bem menos cativantes do que na versão anterior. Por mais que Rooney defenda com propriedade sua personagem, a Lisbeth “norte-americana” carece de valentia. Logo ela, outrora personificação da resistência e da coragem. Lisbeth virou apenas uma geek introvertida, sem muitas nuances adicionais. Muitas vezes desperta compaixão, não simpatia. Seu desfecho é se machucar. Mais uma vez.

Para além das comparações artísticas, quando penso nessa que é uma das personagens mais carismáticas dos últimos tempos, penso em Noomi Rapace. Ela é a minha Lisbeth.

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No filme, o que não falta é divulgação de produto. Nokia, Sony, Epson estão por lá, muitas vezes de forma nada sutil. E equivocada, eu acrescentaria. A logomarca da Nokia, por exemplo, é associada a modelos antigos de celular. E ainda tem a cena do telefone que não dá linha…

Nada que chegue perto da Sony, todavia. Um netbook da empresa é usado para dar mais proteção ao chalé. Bacana. Entretanto… Gosto desses portáteis menores, mas é uma categoria de produto que vem perdendo mercado. Muitas empresas já anunciaram que não vão mais produzir netbooks. Faz sentido investir na sua divulgação? Ah, mas também aparece um Vaio, o topo de linha entre os notebooks da Sony. Sim, mas ele está desligado.

Já os Macbooks estão sempre funcionando. Vários personagens aparecem produzindo num produto da Apple. Lisbeth, que sabe tudo de tecnologia, escolheu um deles.

A complexidade das crianças de Maurice Sendak

O comediante Stephen Colbert conversa com o autor e ilustrador Maurice Sendak. Sua obra mais conhecida, Onde Vivem os Monstros, ganhou edição nacional há pouco, na mesma onda que trouxe a adaptação para o cinema (projeto do ótimo Spike Jonze). Ótimo papo.

Fé na ciência e na razão

“Pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas porque têm capacidade para defender crenças às quais chegaram por razão não inteligentes”

Michael Shermer, autor do livro Por que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas?, explica porque até mesmo os leitores cultivados podem defender o que ele caracteriza como crendices e pseudociências.

Além do livro, o autor louva o ceticismo na sua revista Skeptic.com.

Na TED, Shermer falou sobre superstições e temas correlados. No mesmo evento, Alain de Botton abordou o ateísmo 2.0.

Leonard Cohen: A Brincadeira Favorita

Além de novo disco, os fãs brasileiros do cantor e compositor canadense terão um presente especial nesse ano: Brincadeira Favorita, seu primeiro romance, ganha, enfim, edição nacional. O livro foi lançado em 1963, quatro anos antes de Songs Of Leonard Cohen, seu álbum de estreia.