A blogosfera política

O jornalista Michael Massing aborda o tema nesse artigo. Ele dá exemplos de bom trabalho jornalismo -opinativo e investigativo- na blogosfera. Em muitos casos, essa atuação amplia a cobertura jornalística, já que versa sobre temas que não são abordados pela mídia tradicional.

Por outro lado, mostra que esse trabalho pode ser uma caixa de ressonância, já que faz uma seleção de assuntos que corroboram com a visão política do autor do blog. Os links também servem para ratificar “pré-conceitos”. Ou seja, não se trata de um trabalho plural, que dá espaço significativo para opiniões diversas. O texto “Eu Diário” já mostrava a mesma preocupação.

A pressa na divulgação dos assuntos também é apontada como um dos desafios do jornalismo online: há uma pressão constante para dar continuidade ao fluxo de posts.

Ademais, como há polarização da cobertura, blogs divulgam informações imprecisas sobre políticos de visão distinta à sua. Rumores não checados e até notícias fabricadas são divulgadas como verdade.

Como estamos em ano eleitoral no Brasil, esses problemas apontados por Massing servem de alerta.

"Nas verdadeiras revoluções, as coisas pioram para depois melhorar" [Futuro do jornalismo]

Entrevista com Clay Shirky, autor do livro Here Comes Everybody. Em inglês.

Para ele, não há salvação para a indústria da informação como conhecemos simplesmente porque não se trata de uma transposição desses meios para o ciberespaço.

Segundo Shirky, surgirão diversos modelos de produção da informação. Como sites híbridos, envolvendo profissionais e “amadores” para produzir conteúdo de qualidade. Esses novos processos serão melhores ou piores que os atuais? As duas coisas.

Talvez a maior ressalva que ele faça é que antes desse novo cenário se ajustar, as coisas ficarão “esquisitas”. Para piorar, talvez a estrutura atual acabe antes de uma nova se estabelecer.

“Quando as mudanças são drásticas, você tem de admitir que sua capacidade de fazer prognósticos sobre o futuro é limitada. Nas verdadeiras revoluções as coisas pioram para depois melhorar; do contrário não é uma revolução, mas sim um mero aperfeiçoamento do que já existe”, completa Shirky.

Via

Mini-documentário sobre o wikigoverno norte-americano; Inglaterra segue mesmo caminho de governo aberto

Acima, vídeo sobre o governo 2.0 dos EUA. A empresa de consultoria Delib, responsável pelo documentário, utilizou até o Skype para gravar as entrevistas.

Uma das que participam é Beth Noveck, professora de direito contratada por Obama para criar uma plataforma de governo mais colaborativa. A revista SuperInteressante a entrevistou na edição de dezembro de 2009.

Não é o único caso. A Inglaterra recentemente liberou o banco de dados do Governo para a criação de aplicativos. Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web, participou do projeto.

São bons exemplos de implementação do conceito Linked Data. Já falei sobre plataformas de dados abertas anteriormente.

Internet, a nova república das letras

O ideal da democratização do conhecimento está ligado ao Iluminismo. Os filósofos estavam comprometidos com uma república das letras, mas viviam numa sociedade em que apenas a minoria podia ler. A tecnologia permite acesso a milhões de livros. […] Não me oponho à criação de um banco de dados digital. O que me preocupa são os abusos de preços e a invasão de privacidade.

Historiador Robert Darnton, professor e diretor da biblioteca da Universidade Harvard, em entrevista à Folha de São Paulo.

Como grupos independentes interagem

Apresentação de Deborah Gordon na TED. Ela pesquisa formigas para entender redes complexas, como a internet.

As formigas nem sempre desempenham o mesmo papel. Dependendo da necessidade, há relocação do trabalho.

Como seria a cidade ideal para se viver?

O músico David Byrne explica como seria sua cidade ideal. Ele, que anda de bicicleta na cidade em que mora, Nova York, também faz o mesmo nos locais que visita.

Trata-se de uma visão bastante pessoal. Por exemplo, as cidades muito pequenas deveriam ser evitadas porque todo mundo sabe o que você faz.

Uma cidade pouco densa oferece outros problemas. Como estamos distantes uns dos outros, precisamos investir em atrativos visuais (como cirurgia plástica, roupas e corte de cabelo ousados). Segundo ele, nos tornamos peças de propaganda ambulante.

Sensibilidade e generosidade; segurança (não necessariamente políticas públicas, mas a sensação de comunidade, em que as pessoas não vão usurpar o bem alheio e você pode ficar mais relaxado, menos desconfiado); diversidade de opções (que devem estar próximas) são outros pontos que também são citados.

Espaços públicos, último item mencionado por Byrne, são um dos pontos que mais aprecio. Isso porque tende a aglutinar muitos pontos que ele descreve. Se uma cidade é segura, as pessoas circularão por esses espaços. E se as pessoas são, mininamente, simpáticas, buscarão interagir nesses espaços. Se uma cidade é organizada, essas áreas provavelmente não estarão abandonadas. Acima de tudo, são locais democráticos, em que pessoas distintas convivem (pobres e ricos, com raças e credos diferentes).

Quem sabe Byrne não estava descrevendo Estocolmo, a capital da Suécia, que foi escolhida a primeira capital verde da Europa. Lá, cerca de 95% da população vive a menos de 300 metros de uma área verde.

A blogosfera cubana

Falei recentemente sobre Yoani Sánchez, blogueira cubana que entrevistou Barack Obama.

Obviamente, embora Sánchez seja considerada a pioneira, ela não é a única voz da blogosfera cubana. O CPJ publicou uma matéria sobre o tema.

Páginas locais ampliam a cobertura de assuntos que não são abordados pela imprensa oficial. Apesar dos obstáculos legais e técnicos, blogueiros -geralmente adultos jovens de diversas formações- comentam, por exemplo, questões econômicas e sociais.

Laritza Diversent, formada em direito, explica que reflete sobre as frustações das pessoas. “Mesmo sentindo medo, é uma oportunidade para falar o que pensamos”, avalia.

A maioria dos blogueiros escreve em casa, salva o arquivo em pen drive e envia por e-mail para amigos no exterior, que atualizam os blogs. Muitos não conseguem ter acesso aos seus próprios textos publicados.

A maioria da audiência é internacional, que comenta bastante o que é publicado (participação polarizada, contra e pró-regime). Para divulgar seus textos em Cuba, gravam os posts em CDs e pen drives, que são distribuídos em livrarias independentes e em grupos.

Apenas 13% dos moradores de Cuba tem acesso à internet. A maioria não acessa de casa. O provedor do governo, ETECSA, tem de aprovar todas as conexões. Os cubanos tem o acesso mais lento das Américas. Uma hora de internet num cyber café pode custar seis dólares (1/3 do salário de muitos cubanos).

O blogosfera cubana data do início de 2007.

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