As trapalhadas de Flapjack

Recentemente, o Facebook foi invadido por avatares de desenho animado. Divertido. Brasileiros mostraram sua paixão por animações que marcaram sua infância.

Para além da nostalgia, o vigor criativo dos desenhos animados é alardeado por todas as idades. Embora os longas ganhem destaque (Pixar!), a tv também exibe ótimas séries de animação.

Entre elas, As Trapalhadas de Flapjack reina absoluto. O desenho conta a história de um garoto criado por Bolha, uma baleia falante. A turma é completa por Capitão Falange, um pirata que atua como mentor de Flapjack. Juntos, perseguem a Ilha Açúcar, onde tudo é feito de doces.

(Visite também o blog Playground, um site no jardim da infância. Passa lá.)

Enquanto não alcançam esse destino, vivem no cais Porto Tempestade. Por lá também mora Luís Hortelã, o dono do bar que fornece os doces do local. Sua predileção por guloseimas também guiou sua escolha amorosa: Luís vive com a Esposa Doce (abaixo), uma mulher feita de diversos tipos de doces. Há também Doutor Barbeiro, que atua como médico e cabeleireiro.

Esses não são os únicos tipos excêntricos. A cada episódio surgem figuras como o homem mais bonito do mundo, o homem com voz de garotinha, o misterioso vendedor de pentes, um esquisito senhor com cara de criança… Não raro, são realizados concursos curiosos por lá, como o que elegeu o homem mais preguiçoso do mundo e a melhor barba.

Afora o nonsense, um enredo como esse viraria, no cinema, um dramalhão sobre uma família disfuncional.

Na tela pequena, o cenário é bastante distinto. Para mim, é melhor que muita sitcom atual. O que nos leva a outro ponto: é para criança? Ora, muitos adultos ainda confundem animação com gênero voltado exclusivamente para menores. Na verdade, é uma técnica para contar qualquer tipo de história.

Entretanto, a dúvida persiste: e Flapjack, a quem se destina? Para muitos, o universo infantil e o mundo adulto são ambientes diferentes, antagônicos até. Há uma idealização da infância, como se tudo ali fosse puro. E, evidentemente, não se trata de um grupo homogêneo. Classe social e orientação religiosa são apenas alguns aspectos que influenciam o comportamento dos pequenos.

Para piorar, adultos carrancudos pintam com tintas cinzas o que vem a seguir: se não se comportar, vai tomar remédio. Se não escovar os dentes, vai ter de encarar o dentista. Pais impotentes ameaçam crianças com mal comportamento em público apontando que um senhor mal leva quem bagunça.

Com intenção de “proteger” as crianças, os adultos criam um sentimento de temor em relação à maioridade. Como se os mais novos não tivessem de lidar com sentimentos de perda, com a competitividade entre eles… Com isso, aprisionamos na infância valores que deveriam nos acompanhar, como a curiosidade, o não preconceito com o novo

Flapjack avança em não tratar a infância como um ambiente puro. Sim, Flapjack é inocente, não vê maldade nas pessoas. Os males do mundo não são percebidos por ele, mas estão presentes. Capitão Falange já se aproveitou da inocência do garoto. Sally Xarope, a paixão de Flapjack, fez pouco do nobre sentimento.

É uma postura mais correta indicar como se portar em situações adversas do que simplesmente negá-las. Como você pode permanecer o mesmo, apesar da mudança do cenário. É ser verdadeiro com os menores. Claro, fazendo adaptações no discurso. Ao invés de dizer “você não pode fazer isso”, que tal optar por “não é possível agora, mas quando for maior, isso estará ao seu alcance”. Ao invés do discurso do medo, transparência. Isso cria laços mais fortes e duradouros.

Se por um lado o programa aponta que o ‪maior tesouro de todos‬ é a amizade, noutros a paixão surge como o pior problema de um marujo‬.

O conteúdo que cada criança deve receber é uma decisão dos pais. Entretanto, dia desses assisti Flapjack com meus sobrinhos, um com seis anos e outro pré-adolescente. Foi ótimo encher a sala com timbres diferentes de riso. Cada um curtiu, à sua maneira.

Acho que os pais, ao invés de largarem os pequenos na frente da tv (e, consequentemente, enchê-los de desejos consumistas), fariam melhor em levar uma vida onde a força do exemplo fosse mais importante que apontar apenas com palavras os caminhos que se deve seguir. Ao invés de “faça sua lição”, crie um ambiente no qual seja comum seu filho lhe ver lendo.

Falando em aprendizado. Se os desenhos animados são usados com fins didáticos, não aprendi a lição. Não fui sincero. Apesar de falar como se o desenho ainda estivesse em produção, Flapjack foi cancelado no ano passado, após três temporadas.

46 episódios depois, o programa se despediu procurando novas aventuras. Se fosse você, daria uma chance ao programa, que é reprisado no Cartoon Network. Muitos episódios foram parar na internet.

No derradeiro episódio (acima), o criador Thurop Van Orman interpreta Capitão Falange. Seu filho aparece como Flapjack.

Liquid Television online

A MTV liberou online o conteúdo do Liquid Television, segmento de animações e curtas com marionetes que o canal apresentava nos anos 1990.

O programa deu visibilidade a muitos artistas independentes, que desenvolviam ideias especialmente para o show.

Também foram adaptadas criações da RAW, compilação de quadrinhos alternativos editada por Art Spiegelman (Maus).

Coisas maravilhosas foram parar na Liquid Television: Æon Flux, Cartoon Sushi, The Head, Beavis e Butt-Head… É difícil ver um programa tão anárquico, cheio de experimentações, na tv.

Há muito, foi lançada uma coletânea em VHS com o melhor do programa: Wet Shorts (The Best of Liquid Television). Claro, estava fora do catálogo. Agora, consegue-se fácil. É só apontar o navegador para o site: liquidtelevision.com.

Get More: MTV Shows

daqui

Damages

Ontem, a AXN trouxe para o Brasil a quarta temporada do seriado Damages, tenso drama sobre duas advogadas. Ora se comportam como mestre e aprendiz. Noutros momentos, o conflito domina a relação.

As atrizes principais brilham. Mas não são as únicas. Toda temporada recebe convidados especiais. Já teve Ted Danson, William Hurt, Martin Short, Lily Tomlin e John Goodman.

O show é uma mistura de seriado com minisérie: cada temporada narra um caso do escritório de advocacia de Patty Hewes (Glenn Close, extraordinária). A narrativa é não-linear. Vai e volta no tempo. As reviravoltas são constantes.

No ano que vem, Damages chega a sua quinta e última temporada. O que esperar? No vídeo que abre esse post, elenco e produção falam sobre suas espectativas.

Na entressafra de novos episódios, os admiradores do programa se divertem criando novas tramas (fan fictions).

Trilha

VLA – When I Am Through With You
[tema de abertura do programa]

Fabienne Delsol – I’m Gonna Haunt You
[canção do último episódio da quarta temporada]

Jardins filtrantes

Acima, vídeo mostra como é feita a limpeza das águas do rio Sena (França). Não há consumo de eletricidade, nem produtos químicos. No processo, 30% mais barato que outras formas de despoluição, são utilizadas plantas capazes de absorção de poluentes ou oxigenação.

A tecnologia da Phytorestore deu tão certo que está sendo adotada por empresas e comunidades inteiras.

Luck: primeiro teaser do seriado protagonizado por Dustin Hoffman

A HBO liberou o primeiro teaser de Luck, seu seriado sobre corridas de cavalo. Dustin Hoffman interpreta Ace Bernestein, um apostador. Outro destaque do elenco é Nick Nolte, que vive um treinador de cavalos.

No comando do projeto estão Michael Mann (diretor de Fogo Contra Fogo e O Informante) e David Milch (criador da aclamada série Deadwood).

Estreia mesmo só no ano que vem.